terça-feira, agosto 16

Histórias de Carreiros, de Rogério Corrêa

Trecho do livro "Histórias de Carreiros: 
  
Carreiro espertalhão
 
Jovino Gonçalves Filho, 80 anos, descreveu que desde cedo o seu pai o 
obrigava a lidar com os bois. Só que não gostava do cantar do carro e sim do canto dos pássaros. Mesmo assim tinha de ajudar seu pai. Algumas das vezes, como candeeiro, ele deixava a boiada se adiantar, e, depois, tinha de sair correndo atrás para alcançá-los.
Em alguns desses carretos, ele estava com muita fome e queria chegar logo em casa para almoçar ou jantar. Então, o jeito era apertar o passo para chegar rápido. Enquanto isso, pai dele pedia para andar mais devagar, principalmente nas descidas. Mas, a fome era tanta, que ele passara a pensar só com a barriga, e, evitava diminuir o passo. Algumas vezes, sua atitude fazia com que o carro tombasse.

Inúmeras vezes a roda subiu no barranco ou em pedras grandes e tombou. Só que em vez de chegar cedo, tinha que desvirar o carro, arrumar a esteira e colocar o milho bem arrumado novamente. Sua vontade de chegar quase sempre os fazia demorar e passar mais fome.

— Etâ tempo custoso e trabalheira! — suspira seu Jovino.

Ele diz que gosta de ver os carros, só que carrear, de jeito nenhum! Se recorda de os seus tios mais velhos contarem das longas viagens que eles faziam para buscar sal, querosene ou outro produto industrializado. Às vezes, eles demoravam meses para ir e voltar de cidades longe, principalmente, em época de chuva, que fazia com que quebrassem mais as tralhas da boiada, e as arreatas arrebentavam muito.

Mesmo levando bastante tralha de reserva, tinham que improvisar com o facão e machado, porque quebravam demais.

Algumas vezes tinham de esperar dias até a chuva diminuir um pouco para seguirem viagem ou passar em riachos cheios.

Outro grande sofrimento para eles com o excesso de chuva, dizia respeito à tampa da carga do carro, pois ela era de toldos de couro, e a chuva fazia com que eles pegassem bichos até furar.

— Difícil! — Ele novamente suspira, como a voltar no tempo, e concluiu: — Hoje tudo é muito fácil.
 
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